13 13UTC junho 13UTC 2009
ORGULHO POR SANTIAGO NAZARIAN
Fiquei orgulhoso.
Fiquei orgulhoso que na Criativa deste mês, mês dos namorados, num ensaio entre os casaizinhos - Fernanda Paes Leme e Thiago Martins, Nívea Stelmann e Thierry Figueira, Paula Reboredo e Gilberto França – estejamos lá, Fábio e eu. Nessa foto que você vê aí.
Acho importante. Acho vital. Acho que casais gays têm mais do que nunca dar as caras, aparecer publicamente, principalmente em veículos não dirigidos especificamente a gays. Já é uma coisa normal, claro. Todos nós conhecemos gays, convivemos com gays. achamos gays divertidos e somos gays, mas a vida selvagem aí fora persiste.
Digo, se você chegou até aqui (no meu blog) já sabe o que quer, mas o Brasil ainda é dominado pelos índios…. E quem vive nos jardins, anda pelo Morumbi e passa pela Paulista sabe que “eles” existem. Mas o resto ainda não.
O resto ainda não.
Homossexuais ainda morrem. Todos os dias E jovens gays ainda morrem…. de vontade. Sério, o povo se mata, se morre, o povo se esgana, por esse frescurinha à toa que você (politicamente correto) chama de homossexualidade.
Acho esquisito.
Ainda é motivo de piada, ainda é sinônimo de xingamento. Não há modelos de homossexual na grande mídia. Bem, há aqueles mais afetados que não conseguem esconder – então acaba sendo sempre os mesmos tipos, que não é com quem muitos enrustidos se identificam.
O gay também sempre é visto com sua sexualidade contraposta a do hétero – sempre como coitadinho, doente, passivo, passando vontade. O gay não pode se vangloriar (claro) de ter uma vida sexual ativa, de ser conquistador, de já ter “comido vários”, como qualquer homem hétero faz.
Se você é gay, se você sabe das coisas, sabe que o mundo homossexual é muito maior do que se mostra por aí. Coisa que nossas mães não vêem, que nossas avós não percebem; que o padeiro da esquina piscou pra você, que o pai da sua amiga freqüenta uma sauna, que aquele galãzinho da TV pode ser visto com o namorado, nas boates e inferninhos de São Paulo.
Daí vemos Gilberto Braga dizendo neste número da Júnior: “Galã Gay não deve se assumir”, será? Pode ser como (visão de) funcionário da Globo, entendo. Ele diz que gay que se assume perde a aura de galã. Concordo – entre a massa populacha de donas de casa que assistem a Globo. Já entre as adolescentes moderninhas, um ícone homossexual poderia reascender bandeirinhas. Talvez o que falta seja uma rede de fato com culhões, para mostrar um ícone homo (ou bi) sexual - David Bowie não fazia isso nos anos 70? Por que essas coisas só funcionam na Inglaterra? – Se fizessem aqui, meia dúzia de mil milhões poderiam torcer a cara? Talvez. Mas em meia-meia-dúzia de anos todo mundo acharia normal… E talvez até achasse legal.
Mas por que devemos incentivar a homossexualidade, não é? Não vivemos em superpopulação, e a família e a procriação precisam ser propagadas a todo custo.
É melhor que a senhora crie seu filho para ser hétero, a todo custo. Porque se ele tiver algo de gay, vai ter de sufocar. Vai ter de aprender a falar grosso. Vai ter de se esforçar para comer a mulher – e não vai encontrar nenhum incentivo, nenhum modelo positivo para ser gay. No final, é claro que ele vai sair escondido para catar traveco de madrugada. Vai trazer doenças para casa. Mas o que importa é que ele te deu o neto que a senhora tanto quer.
Aproveitando. Este final de semana/feriado prolongado do dia dos namorados (que coisa “Feriado de Mim Mesmo”) tem aquela mega parada gay- que já virou palhaçada – aqui em São Paulo. Se joga. Eu estou indo viajar com o Fábio.

criado por ricardo.matioli
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