BRINQUEDO NOTURNO

VIVA MUITO MORRA JOVEM E SEJA UM CADÁVER ATRAENTE

30 30UTC setembro 30UTC 2009

“Achar uma forma de acomodar todo o caos, essa é a tarefa do artista de hoje.”

OLHA AE MOÇADA, AE ABAIXO CARTA QUE ALINE MANDOU AO SECRETÁRIO DEODORO, DANDO SEU PARECER DIRETO SOBRE O MAPA CULTURAL E SUA MILITÂNCIA!

Olá Deodoro, tudo bom?

Gostaria de esclaracer e questionar algumas questões sobre o Mapa Cultural Paulista, pois como em outras ediçoes que conheço deste evento sempre existe dúvidas e uma certa desorganização por parte do Estado, além é claro de questões mais pertinentes como: A onde eles querem chegar com este evento? Mas, não este caso agora.
Vamos lá:
A Cia Forrobodó de Teatro teve o intuito de participar deste evento, pois acredita na troca de experiências e fundamentalmente do terceiro olho diante a nossa obra, pois seguimos um processo colaborativo e necessitamos disto enquanto processo, por isso esta oportunidade era cabível dentro das expectativas do grupo.
Nos inscrevemos com o espetáculo de rua “É Poesia Popular!”. Já na fase municipal, nos avisaram que não era necessário a apresentação pois éramos os únicos de rua e dentro da categoria como não havia disputa fomos direto para a regional. Ficamos felizes é claro e pensando que pelo menos na fase regional teríamos esta tão esperada conversa.
Assim, como participei da banca do municipio, escolhemos um de cada categoria, pois dentro de qualquer disputa inclusive de Festivais que são competitivos este processo de seleção é natural e o mais justo.
Fomos para Santa Fé do Sul, nos apresentamos às 10 horas no domingo passado,  acabou o espetáculo estávamos dispostos para a tão esperada conversa com os “apreciadores”, bem, quer dizer, hã, hum….nada!!! não disseram nada, elogiaram e não sabiam o que dizer, fiquei decepcionada, pois contava com um corpo de jurados que entendessem de alguma coisa; estética, gênero, linguagem, sei lá! desmontamos nossas coisas e ficamos no vazio, pensando que o jeito mesmo é de continuar buscando!
Passando o dia inteiro lá, assistimos todas as peças inclusive a única que estva disputando a categoria com a gente que era de Tanabi, por isso que todo momento acreditei que estavamos lá nos apresentando pois havia uma disputa na categoria rua.
A noite entrou e depois de algumas horas, antes do veredito soube que escolheriam o melhor que eles achassem, e quanto quissessem…hã?
Bem, mas não foi isso que aconteceu, ficou o espetáculo da Cia Palhaços Noturnos de Rio Preto (Melodrama) em primeiro lugar, sendo uma escolha justíssima pois eu também escolheria como escolhi este espetáculo na fase municipal, porém na suplência ficamos nós?
“É Poesia Popular!” rua….num balaio só?
Peraí se eu soubesse que disputaríamos todos juntos, começaria questionando a nossa não apresentação na fase municipal!
E falo do infantil também, é obvio que dentro de uma classificação os espetáculos infantis e os de rua, quase nunca foram primeiro lugar. Pois sofrem um certo preconceito, inclusive pela classe teatral, muitos intelectuais alegam que é um gênero menor!
Por isso que existe divisão de categorias, para que avaliem estas linhas de pesquisa!
Acho que fomos tolos, pois me cansei, fui até lá, fiz o melhor de mim e até agora não entendi este resultado…
E o que mais me aborrece é que o Estado deveria reformular este mapa e não torna-lo como mais uma organização que o Estado promove e que na prática não acontece!
Gostaria de uma resposta da secretaria…Que é o único lugar fora do palco que o artista pode exprimir sua militância!

Atenciosamente

Aline Alencar

E LOGO NA SEQUÊNCIA VEMOS A RESPOSTA  DO NOSSO SECRETÁRIO DEODORO!!!

Olá, Aline

Entendo sua indignação, e concordo. No entanto, tudo o que fizemos foi com base no regulamento preparado pela Abaçaí, que é a responsável pela realização do Mapa. Na etapa municipal, nos pediam que fossem selecionados três espetáculos, um de rua, um infantil e outro adulto. Não havia a determinação para escolher apenas um espetáculo, como ocorreu em edições anteriores. De tal forma que seguiram três espetáculos para a fase regional. No regulamento da fase regional são citados os três espetáculos nas três modalidades. No entanto, foi colocado no regulamento que seria selecionado apenas um espetáculo, com o que não concordo.

Já disse uma dezena de vezes para o pessoal da Abaçaí que o Mapa está cada vez mais desacreditado. Todo ano, sempre vem alguém dizendo que o Mapa está mudando. Este ano não foi diferente. Mas no final, você vê que a coisa não é bem assim.

Infelizmente, o município não tem qualquer ingerência na discussão de regulamentos ou qualquer coisa que seja. Simplesmente nos enfiam goela abaixo tudo, sem qualquer possibilidade de discussão ou de contestação. Vou encaminhar para o pessoal da Abaçaí seu protesto. É o máximo que posso fazer.

Abraços, Deodoro

criado por ricardo.matioli    23:39 — Arquivado em: Sem categoria

27 27UTC setembro 27UTC 2009

“MELODRAMA” CANCELADO NO GTR E CAMPO MOURÃO COM “LIZ”

DECIDIDAMENTE O TEMPO NÃO PARA E NÓS QUE SOMOS ARTISTAS DE VERDADE (E NEM TODOS) CONTINUAMOS DRIBLANDO COM OS ACIDENTES E ENERGIAS NEGATIVAS QUE VEM DE TODOS OS LADOS.

ATOR DE “MELODRAMA” ESPETÁCULO QUE DIRIJO, NOVAMENTE SOFRE ACIDENTE E TEMOS QUE CANCELAR SESSÃO  QUE TÍNHAMOS NA PROGRAMAÇÃO DO NIVER  DO GTR, QUE FAZ 55 ANOS. TENTEI ATÉ ADAPTAR MAS O JOELHO DELE ESTAVA IMOBILIZADO E JUNTO COM ELENCO, CONVERSANDO, IRÍAMOS FAZER LEITURA OU ALGO PARECIDO, MAS DUAS PESSOAS SEM CORAGEM DISSE NÃO E ENTÃO DECIDIMOS NÃO FAZER. PENSO QUE PODERIA SER BELA EXPERIêNCIA PRA PÚBLICO  E ELENCO, JÁ QUE ESTAMOS AQUI PRA CORRER RISCOS MESMO E O PRÓPRIO ATOR MACHUCADO FARIA, MAS OUTROS DOIS MIJARAM NA ARVRINHA E ENTÃO MELHOR SERIA NÃO FAZER.

                                                                                         

AE ABAIXO HENRIQUE NERYS EM CENA NO ESPETÁCULO “MELODRAMA”. ESSE CARA É EXEMPLO DE DISCIPLINA, TALENTO E ARTISTA DE VERDADE. MAS COM CERTEZA O CARA LÁ DE CIMA, TÁ 100% DO NOSSO LADO.

SEGUINDO NOSSA ESTRADA, PEGAMOS ESSA MESMA PARA CAMPO MOURÃO, ONDE COM “LIZ” ABRIREMOS O FESTIVAL FESTCAM DESSA CIDADE. SAIREMOS AS 15H30 E PEGAREMOS DANIEL EM MARÍLIA. TEMOS TIDO POLÊMICAS COM ESSE ESPETÁCULO, ONDE CRIANÇAS EMBARCAM E AMAM E ADULTOS E ESTUDIOSOS E JURIS E CRITICOS, DIZEM SER PESADO E NÃO PRA CRIANÇAS.

MAS CONTINUAMOS SENDO SELECIONADOS E DISCUTINDO E MEXENDO ALÍ E AQUI E NÃO DEIXANDO A PETECA CAIR.  AE ABAIXO FOTO DO TEATRO DESSA SIMPÁTICA CIDADE DO PARANÁ.

                                                                                                                                                                                                                                                  

AE ABAIXO FECHO COM FOTO DA MOÇADA TODA LOUCA E FELIZ EM STA FÉ DO SUL, ONDE JUNTOS CONCORREMOS A UMA ÚNICA VAGA PRA FINAL EM SP DO MAPA CULTURAL. SAÍMOS FELIZES, QUESTIONANDO NOVAMENTE ESSE MAPA CONFUSO E CANTAMOS QUE NEM  PÁSSAROS AFINADOS NA VOLTA. GENTE DE CARÁTER E TECNICAMENTE DOCES É SEMPRE BOM ESTAR POR PERTO, E COMO DIZEM POR AÍ O RESTO QUE SE JUNTEM E SEJAM FELIZES!!!

                                                                                  

E PRA RELAXAR A FOTO DE UM BELO ADOLESCENTE LAVANDO SEU CARRO E SENDO OBSERVADO POR OUTRO. QUE DEUS NOS PROTEJA DE TODOS OS MALES. AMÉM!!!!!!!!!!!!!

                                                                                                                                               

criado por ricardo.matioli    13:59 — Arquivado em: Sem categoria

25 25UTC setembro 25UTC 2009

MAPA DE LITERATURA E EU NO CONTO OU TUDO OU NADA EM ORÉGANO

DE ONTEM PRA HOJE E VOU ASSUMIR DE VERDADE, FIQUEI BEM ANSIOSO E O TEMPO TODO ORANDO, PRA QUE DESSE CERTO EU PASSAR PRA FINAL DO MAPA LITERATURA-CONTO, COM MEU “TADZIO”.

FUI PRO MILTINHO PEGAR UM DIN DIND DE ENVELOPE, PEGUEI MOTO PRA MARCAR MÉDICO, DESCI DE BUS PRA CIDADE, PASSEI POR BANHEIROS, ANDEI PELA RODOVIÁRIA, ME REALIMENTEI DE PAÇOCA E DOCE CÍRIO, ONDE ME DESTINEI A BIBIOLTECA ONDE DARIAM O RESULTADO OFICIAL.

 ENTRE MÚSCULOS DE SALES E LELÉ DE MONTE APRAZÍVEL O CLIMA ROLOU SENSUAL E MISTERIOSO. ESTÁVAMOS ATENTOS E QUANDO DISSERAM QUE EU TINHA PEGO MENÇÃO HONROSA E NÃO PRIMEIRO LUGAR, FIQUEI BEM TRISTE, PORQUE SERIA UMA AVALIAÇÃO BEM SUCEDIDA A MIM, E MESMO NÃO TENDO CONSEGUIDO SAÍ BEM FORTE. GOSTO MUITO DO QUE VENHO FAZENDO ULTIMAMENTE, POR MIM E PRA MIM. ESCREVO E MUITO E JÁ ESTOU EM MEU 4º TEXTO E VÁRIOS CONTOS, INCLUINDO O “TADZIO”.

UM DOS JÚRIS  E POR QUE VEIO SÓZINHO, DEU A PREMIAÇÃO E DEPOIS DE ALTA EXPLICAÇÃO SOBRE TEXTURAS, ARGUMENTOU O PORQUE DO MEU NAO SER PRIMEIRO E DISSE QUE OS TRÊS OUTROS JURIS, INCLUINDO VERÔNICA STIGGER, DISSERAM : MUITO CHOCANTE E PESADO O FINAL E A ESTÓRIA SE BIFURCA, NÃO SE DESTINA.                                                                                                                                                                        PRA QUEM QUIZER LER O CONTO TAE ABAIXO E É NESSE EXATO MOMENTO DESSA BELA E CRUEL FRASE, QUE ELES ME TIRAM DO PRIMEIRO LUGAR.

Treze dias depois,soubemospor meio dos jornais e das revistas e dos noticiários do mundo inteiro que tinha  tomado inúmeros comprimidos, cortou os lábios, furou os olhos, esmagou seus testículos  e enfiou a  cabeça  no  aquário com  dezenas de  peixes  de   coloridos                                          

É UMA IMAGEM BELÍSSIMA E ARTÍSTICA. NÃO SEI DE VERDADE POR QUE ESSA COMISSÃO, DEIXOU DE ME PREMIAR.

VIVER VALE A PENA POR UMAS SURPRESAS QUE ACONTECEM NAS NOITES! SAÍ DA REUNIÃO TODO TRISTE, MAS COM FELICIDADE PRESENTE.FUI AO TEATRO, E NOVAMENTE MOTO TAXI, PRA SE CHEGAR + RÁPIDO. AMIGOS E DESAMIGOS NOS SAGUÃO E PREPARADOS PRA VER “ORÉGANO”. CIA NOVA NA CIDADE ONDE PESSOAS (5) DE TEATRO, DANÇA E CANTO ME SURPREENDE EM ESPETÁCULO TODO DESARRUMADO E  HÍBRIDO. A ESTÓRIA MOSTRA UMA FAMÍLIA FRACASSADA, COM DUPLA PERSONALIDADE-NA PERSONAGEM DA MÃE, QUE POR SINAL TEM FORTE E SENSUAL ATORES (ELA, A LOIRA E ELE ,O  MENINO). O TEXTO SE PONTUA NUMA EXACERBAÇÃO DE IDEIAS E MENSAGENS, NUM TOM GRITADO, TENSO E NERVOSO.

ISSO POR UMA LADO É RUIM TECNICAMENTE, MAS POR OUTRO  UMA ENERGIA EXCESSIVA SEGURAVA AS AÇÕES E REAÇÕES NO GRITO. GOSTO DO QUE VEJO EM IMAGENS, OUÇO MÚSICA QUE ENTRA ESTRANHAMENTE E DESNECESSÁRIA E LUZ SEM MOVIMENTO E SEM SURPRESAS. ACOMPANHO E FOTOGRAFO ATENTO O ESPETÁCULO. SAIO DE LÁ FELIZ, POR ESSA  ATITUDE DA HECATOMBE ,MAS UM DIRETOR OU CONDUTOR OU MAESTRO TEM QUE REGER URGENTEMENTE ESSES INSTRUMENTOS. JÁ CONSEGUIRAM MUITA COISA PRA COMEÇAR, COMO HÁ TEMPOS NÃO VÍAMOS MOÇADA ASSIM POR AQUI, MAS É PRECISO SABER ANDAR NO SALTO ALTO DE VERDADE, E ME PARECE QUE A CIA JA TEM SAPATOS E BONS PÉS!!! DESEJO MUITA SORTE A ELES!

                                                                                                        

MONTAGEM DE ORÉGANO DE OUTRA CIA!

criado por ricardo.matioli    0:40 — Arquivado em: Sem categoria

24 24UTC setembro 24UTC 2009

TADZIO*TADZIO*TADZIO*TADZIO*TADZIO*TADZIO*TADZIO

Batizaram-no de Tadzio e não era negro. Não podia ser de outra cor senão loiro. As pessoas  sempre esperavam dele coisas como gestos violentos, voz desafinada,

olhos vesgos.  Espantavam-se  e   admiravam-se  com  os  ombros  largos,   a    cabeleira encaracolada dourada, o rosto desenhado e suave, os olhos azuis da cor do céu.    Tadzio não  brincava com  as   outras  meninas quando era criança, só  com  os  garotos. Tadzio ficava quase sempre sozinho. Mesmo assim,  os  garotos  gostavam  muito  dele.  Quase todo mundo foi na estação de trem quando  foi embora  para  o  exterior.  Debruçado  na janela e, sem expressão, nem triste nem alegre, olhava  fixo  para  o nada. Eu era o nada. Eu que escrevo e me apaixonei por Tadzio fiquei olhando-o a partir  sem  imaginá-lo em meio a homens engravatados e a automóveis nas grandes cidades. Penso  que  senti pena – e  penso  que  sentiu que  eu   sentia  o  mesmo  porque, num  gesto  mágico, fez   algo inesperado. Tadzio desceu  do  trem  saltando  pela  janela  e  me  deu  um doce beijo no rosto. Um beijo suave e quente. Qualquer coisa como vergonha  de  gostar. Essa  foi    a primeira e única vez que nos tocamos e nos sentimos e nos aproximamos. Foi a primeira vez que vi seus lábios de perto. Estavam úmidos  e  brilhantes. Os  lábios  dele  eram  os lábios que podíamos esperar de Tadzio. Rosados  e  desenhados, como  de  uma criança, uma menina. Eu queria e ficava olhando muito para seus lábios  porque  pensei  que   só tinha descoberto Tadzio na hora de ele ir embora. Mas o trem se foi e  ele também  junto  com  o  trem  e seus vagões e sua fumaça e barulho. Uns  tempos  depois vi  a  foto  dele  numa  revista: Tadzio era  modelo  fotográfico  no exterior. Todo  mundo  comprou  sua  imagem e   falou dele durante  semanas. Quase  sempre  víamos  fotos  dele  em  jornais, revistas e até  na  TV de  maior  audiência. Tadzio  era  famoso  demais  nesse tempo. A  cidade  de  onde   partiu adorava-o, mas ele nunca escreveu para ninguém.  Muitos  anos depois, eu o vi outra vez. Eu estava a escrever  para  um  tablóide e  teria   que  entrevis- tá-lo. Tadzio  estava  triste     e sozinho. Sua tristeza  era  linda e ele não ficou   feliz  em  me  ver. Continuava  lindo  e sedutor e tinha nos olhos uma coisa cheia de dor.  Fumava e  tragava  e  fumava. Falei  das  pessoas, da cidade, dos bares, dos  garotos, mas ele não parecia  se  lembrar. Contou-me  friamente  de  suas  conquistas,, de suas fotos, de  seus desfiles, de  seus  filmes, de  suas  viagens – tudo  com  uma  voz  rouca e lenta. Depois, sem  que  eu    soubesse       porque, tirou de dentro de sua  cueca  uma  folha  de   papel  com  umas  coisas  que  tinha  escrito. Tinha  uma parte  que  nunca, e  nem  se quisesse, consegui esquecer e que  assim  falava:

   sabe que o meu gostar por você   chegou  a  ser  puro

   amor pois eu me arrepiava vendo você me olhar pois

   se eu acordava no  meio  da  madrugada    era   pra

   imaginar  você dormindo  meu  deus  como  você me

   doía como você me  queimava  por  dentro de vez em

   sempre eu  vou  ficar   guardando  você  numa   noite

   escura e gelada bem no meio  do  nada  no deserto 

   preferência então  os  meus  cabelos  e  meus braços e

   minhas pernas e  meu corpo   não   vão ser suficientes

   para te esperar e te abraçar e te acariciar e te amar  e  a

   minha voz vai querer  dizer tanta coisa  tantas palavras

   tantos gemidos que eu vou me calar  por  muito  tempo

     pra  olhar  e  me  fixar  nos  seus  enigmáticos olhos

   verdes  e  pensar  meu  deus   mas  como  você  me  dói

                          sempre.

               Quando acabei de ler, chorei por muitos e muitos e muitos segundos e fiquei um monte de tempo olhando  para  os  lábios  dele. E  pensei  que  ele  parecia  ter   es-

crito aquilo com os seus lábios e seus olhos e seus pés de criança. Disse   para   Tadzio

que era lindo o que escrevera, mas ele me olhou, inesperadamente, com uma cara doce

e fria e disse que não adiantava nada ser lindo.Tentei fazer alguma coisa por ele,  e  na-

da. Mas eu só tinha uma vaga impressão de que sua  natureza  era  assim:  triste,  fria  e sedutora. E não pude fazer nada. E  se  pudesse, ele  também  não  deixaria. Fui embora

com a sensação de que ele queria e iria dizer muitas coisas. Treze dias depois,soubemos

por meio dos jornais e das revistas e dos noticiários do mundo inteiro que tinha  tomado

inúmeros comprimidos, cortou os lábios, furou os olhos, esmagou seus testículos  e   en-

fiou a  cabeça  no  aquário com  dezenas de  peixes  de   coloridos. Foi  muita  gente  no enterro e inventaram histórias sujas e tristes. Mas  nunca  ninguém   soube  da   verdade.

Nunca ninguém soube dos lábios e das escritas  de  Tadzio. Só  eu. Numa  dessas  noites escuras e geladas, vou encontrar-me com ele no meio desértico do nada e vou   ficar por

muitos e muitos e muitos segundos olhando-o sem dizer nada e pensando: que pena.Que pena Tadzio, você não ter  sido meu, você  não  ter  sido  nosso,  você não   ter  sido seu. De vez em quando, pelo menos.

                                                                                                                                                                                                         

criado por ricardo.matioli    14:06 — Arquivado em: Sem categoria

22 22UTC setembro 22UTC 2009

UM DIA DE CHUVA TODO ESPECIAL E MAPA DE DANÇA EM SJRP

ONTEM PELA MANHA ACORDEI COM UM ANJO DA GUARDA COM ASAS SUPER BATENDO DO MEU LADO!!

ACORDEI FELIZ E ISSO HÁ MUITO NÃO ACONTECIA. A VIDA DA GENTE REALMENTE ASCENDE E APAGA A TODO MOMENTO! PELO TRABALHO, PELOS AMIGOS QUE RESTARAM, PELA CORAGEM, POR ATITUDES E DESISTÊNCIA E SIMPLESMENTE POR AMOR A MIM MESMO.

                                                                                                                                                      

ACORDEI E CHOVIA E CHOVEU PELO DIA TODO E FOI BEM LINDO TUDO. CHEGUEI NO TEATRO ONDE IRÍAMOS ESPERAR GALPÃO 6 DA TECA E DEPOIS ENSAIAR, FINAL DO MAPA CULTURAL DE DANÇA. MAIS UMA VEZ O ATRASO E A DESORGANIZAÇÃO DAS PESSOAS ENVOLVIDAS CONTINUAVA AQUI EM MINHA CIDADE.

TIVE QUE EU POR INCIATIVA DEPOIS DE VÁRIOS EMPURRA EMPURRA ENTRE FUNCIONÁRIOS DA P.M LOCAL, COLOCAR E ESTENDER O LINÓLEO PRA QUE O EVENTO SE REALIZASSE E TAMBÉM PASSAR A FITA PRA PRENDER. ATÉ AE VAMOS QUE VAMOS. RESPONSÁVEIS TANTO DA P.M. COMO DA ABAÇAI NÃO ESTAVAM PRESENTES NO MOMENTO COMBINADO E FOI TUDO ATRASANDO.

                                                                                                                                                                                                                        

EM MEIO A TUDO ISSO CHEGOU O “CARA” - DIZEM SER ASSESSOR DE NOSSO SECRETÁRIO - E ACIDENTALMENTE TOMOU O MICROFONE E COMEÇOU O EVENTO ATRASADO. ACADEMIAS SOBRE APLAUSOS E POUCAS PALMAS SE APRESENTARAM. GRUPO ESCOLHIDO E DEU GAPÃO 6 COM RE(AÇÃO) ONDE OPERO E TRABALHO COM TECA HÁ 4 OU MAIS ANOS E FELIZES E BRINDAMOS COM PIZZA E REFRIGERANTE COM GARGALHADAS E OLHO NO OLHO.

COMISSÃO DE PESSOAS NOVAS FOI FALAR DEPOIS DO FINAL ESPETÁCULO E ENTRE CONTRADIÇÕES E ACHISMOS, VALORIZAM MUITA A ARTE E DANÇA NACIONAL E CRITICARAM NOSSA ESCOLHA SURREAL CONTEMPORÂNEA E EUROPÉIA. MAS ASSIM TENTEMOS ENTENDER ESSES MESMOS PORQUE ESTÃO TAMBÉM AINDA EM PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE IDEIAS, COMO TODOS NÓS.

E A GENTE TA BEM FELIZ COM A FORÇA E OUSADIA DE NOSSA SESSÃO EM STA FÉ DE “MELODRAMA”.

                                                             

NO FIM ABRAÇOS APERTADOS E MAIS UMA SATISFAÇÃO ALÍ DO MOMENTO EM VENCER, MAS ANTES DE TUDO ISSO, SENTIR A EVOLUÇÃO DO TRABALHO DESTINADO E VOLTAR À LUTA.

PRECISAMOS FICAR DE OLHOS BEM ABERTOS PARA AS SURPRESAS QUE A CULTURA NOS DOARÁ

NESSES MESES AÍ PRA FRENTE. É PRIMAVERA E PORTANTO MOMENTO DE  CHUPAR GOMINHAS COLORIDAS.

 

criado por ricardo.matioli    0:25 — Arquivado em: Sem categoria

proacrevelaspedeixainteriorchupandoodedo * vamosvirarojogo

 MAIS UMA VEZ DEU CAPITAL NA CABEÇA!!!!!!

O Edital de apoio a projetos do Estado de São Paulo, tornou-se o edital para a cidade de São Paulo DEFINITIVAMENTE.CHEGA!!!!!! CHEGA!!!!!Mais uma vez o interior fica reduzido a NADA!!!!!!!!!E onde estão os fazedores teatrais do interior?E mais uma vez vamos ficar calados?Receber migalhas?NÃO!!!!!!!!!NUNCA MAIS!!!!!!!!CHEGA DE permissidadeUMA VERGONHA PARA A NOSSA CLASSE E PARA NÓS DO INTERIORNa edição passada foi a mesma coisa. Agora ficamos resumidos a cotas.Então não tem qualidade no interior?É isso?E depois a Secretaria de Estado da Cultura vai mandar esses trabalhos vencedores para nós, via Circuito Cultural Paulista, Com aquele velho discurso: “Olha aí gente, aprende a fazer teatro.”e isso ninguém merece!!!!!!!!Ou a política da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo vai continuar nos obrigando a fazer migração para a capital para fazermos teatro? E abandonarmos a nossa história, a nossa cultura e nossas raízes? O Estado tem 645 Municípios e 96% do dinheiro ficou na Capital do Estado neste edital,O Estado arrecada por mês com o ICMS cerca de 6 bilhões de reais (de acordo com os dados da Secretaria da Fazenda) e o edital exclui os artistas do interior, por mera desinformação de quem os redige. Não conhecem a produção do interior.Privilegia os grupos de teatro da Capital. (veja o resultado final abaixo)Mesmo com documentos faltantes os responsáveis pelo edital aceitaram vários projetos para o concurso.Nós aqui no interior não conseguimos captar recursos financeiros via ICMS, nem Rouanet e ainda os editais públicos do nosso ESTADO nos excluem desta forma.Vamos Assistir e ficar calados?“Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim: não dizemos nada.Na segunda, já não se escondem. pisam as flores, matam o nosso cão e não dizemos nada.Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.E já não podemos dizer nada.”(do poeta Eduardo Alves da Costa – “No caminho, com Maiakovski” do livro “O TOCADOR DE ATABAQUE” – 1969 - Editora Nova Fronteira)

criado por ricardo.matioli    0:17 — Arquivado em: Sem categoria

21 21UTC setembro 21UTC 2009

DESLIZES E CONFUSÕES NA CURADORIA DO MAPA CULTURAL PAULISTA

                                                                                          

MINHA CIDADE REPRESENTOU NESSE FINAL DE SEMANA, NA MODALIDADE DE TEATRO O MAPA CULTURAL PAULISTA, COM TRÊS ESPETÁCULOS EM CATEGORIAS DIFERENTES: UM DE RUA (É POESIA POPULAR) UM INFANTIL (LIZ EU E O PÁSSARO ENCANTADO) E UM ADULTO ( MELODRAMA).

O ADULTO E INFANTIL EU DIRIJO E SOB MINHA RESPONSABILIDADE FOMOS ATÉ STA FÉ DO SUL E NUM GOLPE DE GÊNIO, APRESENTAMOS OS DOIS ESPETÁCULOS NUM ESPAÇO MÍNIMO DE DUAS HORAS ENTRE UM E OUTRO. CIAS DE OUTRAS CIDADES ( TANABI, CATANDUVA, VOTUPORANGA E RIO PRETO) COMPETIRAM ENTRE SI. PENSÁVAMOS E ATÉ POR QUE LIGANDO PRA ABAÇAI, RESPONSÁVEL PELO PROJETO MAPA CULTURAL PAULISTA, QUE FOSSEM SAIR NESSA FASE REGIONAL, TRES ESPETÁCULOS UM DE CADA CATEGORIA, JÁ QUE NOSSA CIDADE ENVIOU TRES REPRESENTANTES. MAS NADA FOI  DITO ACERTADAMENTE.

CHEGANDO LÁ E POR SURPRESA, DE ÚLTIMA HORA, DISSERAM A COMISSÃO DE ESCOLHA, TRÊS NOVOS ARTISTAS, QUE TIMIDAMENTE TROCARAM MUITO POUCO COM OS TRABALHOS RAPRESENTADOS, AINDA QUE FECHADOS COM CADA CIA, NÃO PODENDO NÓS QUE SOMOS DA CLASSE, PARTICIPAR DOS DEBATES, QUE SERIA APENAS UM ESCOLHIDO E DOIS SUPLENTES  FICARIAM NO AGUARDO CASO UM DESISTISSE OU CAÍSSE.

ESTRANHO, IMPOSITIVO E NÃO COMBINANDO COM NOSSO CRESCIMENTO E QUESTIONAMENTOS ARTÍSTICOS, NÃO PODER PELO MENOS OUVIR A COMISSÃO. UMA ORGANIZADORA QUE NEM SEI O NOME, ARROGANTE E PRETENCIOSA, ME TRATOU DE FORMA INSENSÍVEL.

O RESULTADO NOS CHOCOU, FICANDO APENAS “MELODRAMA” QUE EU DIRIJO CLASSIFICADO PARA SP EM MARÇO DE 2010. FELIZES FICAMOS SIM, MAS ACREDITO QUE DEVERIAM SAIR UM DE CADA CATEGORIA, PARA A FASE ESTADUAL POR QUE EU ESTANDO COM DUAS DIREÇÕES CONCORRI COMIGO MESMO.

PENSO QUE AS DISCUSSÕES FUTURAS E AINDA HJ DEVERIAM SER DISCUTIDAS COM MAIOR RIGOR E EMBASAMENTO PARA QUE ESSAS SITUAÇÕES DESASTROSAS E EMBARAÇADAS, NÃO CAUSEM PEQUENOS DESLIZES. O REGULAMENTO A NADA PREVÊ E NÓS QUE SOMOS ARTISTAS PERSISTENTES COM A ARTE, PARECEMOS PALHACINHOS, NAS MÃOS DE QUALQUER UM.

LUTO E PENSO PELA CLASSE  E PELA JUSTIÇA DE OUTROS, E NÃO PRO MEU PRÓPRIO UMBIGO.

                                                                                                                                                                                                        

criado por ricardo.matioli    12:11 — Arquivado em: Sem categoria

17 17UTC setembro 17UTC 2009

A CRÍTICA NOSSA DE CADA DIA * TOMALÁDACÁ*

ONTEM NO SITE DO FESTIVALE ALEXANDRE MATE - PESQUISADOR E ESTUDIOSO DE TEATRO - ESCREVE UMA CRÍTICA SOBRE ESPETÁCULO “LIZ EU E O PÁSSARO ENCANTADO” APRESENTADO NESSE MESMO NO DIA 11 DE OUTUBRO, QUE EU DIRIJO.

ESCREVO AQUI ENTÃO ALGUMAS IMPRESSÕES DO QUE ELE DIZ: LEIA POST ABAIXO A CRÍTICA E PENSE COMIGO.

LOGO NO INÍCIO, ABRE EM BELAS PALAVRAS SOBRE O “CHOQUE” QUE LEVA AO ADENTRAR O TEATRO E OUVIR MÚSICA DE LOUIS AMSTRONG. PERDE ALGUMAS 5 LINHAS OU MAIS, PRA EMBELEZAR A CRÍTICA COM IMPRESSÕES DESNECESSÁRIAS. FALAR SOBRE UMA MÚSICA AMBIENTE. DIZ DE IMPOSIÇÃO, INPONDO UMA OPINIÃO VAZIA.

COMEÇA DIZENDO QUE JÁ ASSISITIRA OUTROS “BELOS” ESPETÁCULOS QUE DIRIGI E COMEÇA A ENUMERAR TANTOS PROBLEMAS QUE VIU, OUVIU E SENTIU EM “LIZ”. DIZ QUE O ESPETÁCULO É DURO, TENSO E SEM LUDICIDADE. PENSO QUE PROS OLHOS DE UM PESQUISADOR DE TEATRO, ESPETÁCULOS ENTÃO PRA CRIANÇAS QUASE SEMPRE TEM QUER MOLES, RELAXANTES E LÚDICOS? AS RECEITAS POR MAIS QUE CONHEÇAMOS PENSADORES PÓS E SÉRIOS POR EXCELÊNCIA DE PESQUISAS TEATRAIS, NÃO ESTÃO EM NENHUMA BULA TEATRAL, ATÉ POR QUE TALVEZ ESSES MESMOS TIVERAM DIFICULDADES EM ESCREVÊ-LAS.

O MUNDO CADA VEZ MAIS ANDA TENSO, CAÓTICO E CHEIO DE QUESTIONAMENTOS. EM NOSSAS SESSÕES E JÁ CHEGAM A QUASE 30, CRIANÇAS, PAIS, PROFESSORES, ADULTOS E VELHOS, ASSISTEM ATENTOS E EMOCIONADOS, CHEGANDO AO FIM QUASE SEMPRE EM LÁGRIMAS OU REFLEXIVOS SOBRE DIFICIL TEMA: SEPARAÇÃO DE PAIS, LIBERDADE, DEPRESSÃO E OUTROS TEMAS CONTEMPORÂNEOS.  NA SESSÃO QUE FIZEMOS O ESPETÁCULO PRA NÓS DA CIA FOI RUIM SIM, MAS NÃO A NÍVEL DE CAIR NESSA DISCUSSÃO CONTRADITÓRIA.

ALEXANDRE DIZ AINDA QUE A ATRIZ É EXTREMAMENTE RACIONAL E QUE ATOR NÃO ACOMPANHA SUA CONSTRUÇÃO E SEU COMPORTAMENTO EM CENA. DIZ QUE OU A DIREÇÃO SEGURA AS MARCAS, OU ATRIZ “ENGASTA” O ESPETÁCULO. AQUI DAS DUAS UMA, A ATRIZ TEM PROBLEMAS SIM COM SUA PARTITURA CORPÓREA E TEMOS TRABALHADO MUITO ISSO, MAS COM ISSO PENSAMOS EM ESTAR INSERINDO NA CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM, MAS SEI QUE A PALAVRA PAUTADA D+, AMARRA A ORGANICIDADE, NEM SEMPRE, DAS SESSÕES REALIZADAS.

EM OUTRA LINHA DIZ NAO TER PALHAÇADA, NÃO TER BRINCADEIRA E SOMENTE UMA ATRIZ MARCADA TROCANDO CENÁRIO PRA LÁ E PRA CÁ. ACERTA PELA METADE, QDO CONCORDO QUE A ATRIZ AINDA DIFICULTA-SE EMPATANDO CENAS E ALONGANDO-AS, MAS PALHAÇADINHA E BRINCADEIRAS DO NADA, REALMENTE, NÃO ESTÁ EM MINHA ORIGINAL CONCEPÇÃO.

DIZ AINDA DO TEXTO E DO PRÓPRIO AUTOR DIZENDO ELE TER VALORES CRISTÃOS. COMPLICADO DISCUTIR SOBRE ISSO, MESMO SABENDO QUE DEVAMOS RESPEITAR TODAS AS CONDIÇÕES RELIGIOSAS, SEXUAIS E DE ESCOLHAS, NÃO TENDO QUE ME CONVERTER E NEM ME AUTO-CRUCIFICAR POR PEQUENOS DETALHES MORALISTAS.

PARECE QUE NO DESENROLAR DA ESTORIA, ENTENDE E SENTE POR SÍMBOLOS E METÁFORAS, MUITO MENOS QUE AS CRIANÇAS QUE ASSISTEM. CITA TAMBÉM O NOME DO CONDUTOR E DOS TRES DEBATEDORES, QUE NÃO VALE NEM A PENA CITAR AQUI SEUS NOMES. ACABANDO O ESPETÁCULO SE REÚNEM E COMBINAM FALAR SOBRE O ESPETÁCULO, SEM NENHUMA DISCÓRDIA ENTRE ELES.

ESTRANHO NÉ, SE SÃO TRES DEVERIAM ASSISTIR E FALAR SEPARADAMENTE, SENÃO FICA MUITO FÁCIL ANALISAR E TENTAR DAR EXEMPLOS E AULINHAS DA BOCA PRA FORA. DESPEITADAMENTE E DESRESPEITOSAMENTE FICAM QUASE QUE 80 MINUTOS NUM DISCURSO CHATO E SEM RITMO, MUITO PIOR QUE NOSSA SESSÃO DESSE DIA.

ALEXANDRE MATE, QUE RESPEITO E ADMIRO HÁ LONGO DE ANOS, FECHA NOSSA CRÍTICA DIZENDO FICAR EU E CIA DEVENDO BOM ESPETÁCULO A ELE. RESPEITO E REVERENCIO QUALQUER OPINIÃO, MAS PENSO QUE PESOS E MEDIDAS COM OUTROS ESPETÁCULOS DO FESTIVAL NÃO TIVERAM O MESMO TOM E A MESMA VERDADE.

MELHOR SERIA SE TODOS NÓS PUDÉSSEMOS DESPIR DE NOSSAS ROUPAS E NOSSAS MÁSCARAS E ADENTRAR NUM MAR DE AGUA SALGADA, PRA LIMPAR NOSSAS SUJAS IMPRESSÕES PRECONCEITUOSAS, DO QUE SE PODE OU NÃO FAZER, NESSE MUNDO CHEIO DE CONTRADIÇÕES E LIÇÕES AMORALIZADAS.

E COMO GERALDO VANDRÉ DISSE EM ALTO E BOM TOM HÁ MUITO ANOS ATRÁS: A VIDA NÃO SE RESUME EM FESTIVAIS.

E TENHO DITO!!!!                                                                                                                 

criado por ricardo.matioli    15:40 — Arquivado em: Sem categoria

16 16UTC setembro 16UTC 2009

UM ESPETÁCULO QUE ACONTECE APENAS NO PALCO

O Espaço Cultural Cine Santana foi o espaço estabelecido para apresentação do espetáculo Liz
eu o pássaro encantado, adaptado por Luciana Mantovani a partir da obra A menina e o pássaro
encantado, de Rubem Alves. Ao entrar no teatro, tive um choque momentâneo… Pensei ter sido
levado a outro espaço… Em alto e bom som o excelente Louis Armstrong. Muito, muito complicado
impor, às crianças – do mesmo modo como faz a mídia – uma música daquelas. Não questiono a
qualidade do músico e cantor, mas a sua imposição também às crianças… Como tudo o mais, música
tem nacionalidade, sim; veicula e impõe valores; nivela o gosto e os ouvidos; tende a docilizar as
resistências.
A Cia. Teatral Só Riso, fundada em 1999, convidou o diretor – de tão belos espetáculos –
Ricardo Mattiolli. Do diretor já havia assistido a vários espetáculos, mas jamais a montagens
destinadas prioritariamente a crianças. Talvez por conta disso, e pelo fato de ter sido convidado
pelos integrantes da companhia, o espetáculo apresente tantos problemas.
Considerando tratar-se de uma montagem destinada às crianças, o resultado é uma
montagem “dura”, tensa e com pouca ludicidade. A atriz Luciana Gadoti é extremamente racional e
joga de modo bastante pautado na partitura. Daniel Neves, pelo que se pode apreender, tem
dificuldade para relacionar-se com a personagem apresentada pela atriz. Ricardo Mattiolli em suas
encenações sempre gostou de trabalhar com objetos que se sugerem ou transformam-se em outros
(chamados de traquitanas), mas ao mudá-los, o que se vê é um grande esforço. Não há brincadeira,
não há palhaçada, há apenas uma atriz que prepara o cenário para o que se segue!
Portanto, é bastante difícil dizer se é a direção que “amarra” a encenação ou se o diretor foi
“engastado” pelo racionalismo excessivo da atriz. A dramaturgia, fundamentada na obra de Rubem
Alves apresenta problemas. Rubem Alves, sabem tantos, sobretudo aqueles ligados à educação,
tratar-se de um pensador interessante, mas bastante premido por valores cristãos. O texto, e
imagino não ser uma concepção de Luciana Mantovani, apresenta-se por meio de diversas lições
morais e duvidosas: Liz trancafia-se no quarto porque os pais se separaram; aprisiona um pássaro
azul para ter companhia e este, pela prisão, fica preto… Complicado isso.
Durante o debate que se seguiu após o espetáculo, Fernando Rodrigues, que desenvolvia a
função de mediação usou a expressão pasteurizado para referir-se ao tratamento utilizado pelo
espetáculo. Evidentemente, não é disso que se trata, mas como pontuaram os integrantes da equipe
de debatedores (Heitor Saraiva, Thais D’Abronzo e José Facury): a imaginação não pode suscitar a
ilustração da palavra, mas para revelar o que existe além dela; a cena não deve ser postiça e ficar
atrelada ao texto; os objetos precisam ser pensados uns em relação aos outros e em relação à
própria obra.
Ricardo Mattiolli e a Cia. Teatral Só Risos ficaram a dever um espetáculo infantil, ou melhor:
ficaram a dever um bom espetáculo.
Alexandre Mate
* doutor em História Social (FFLCH-USP). Professor de História do Teatro e da Literatura Dramática no Instituto de Artes
da Unesp e da Escola Livre de Teatro de Santo André. Pesquisador de teatro e participante do Núcleo Nacional de
Pesquisadores de Teatro de Rua                                            

                                                                                                                                   

criado por ricardo.matioli    16:51 — Arquivado em: Sem categoria

13 13UTC setembro 13UTC 2009

A VERDADEIRA ARTE DOS CORPOS SARADOS DE VERMELHO

 

                                                                                                                                            

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     

                                          

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

                                                                                                                                                                           

criado por ricardo.matioli    15:27 — Arquivado em: Sem categoria
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